Além da tela
Paixonite

Tenho tudo programado em mente, o que vou te dizer, como vou dizer, as possíveis respostas suas, e as minhas defesas, tudo já imaginado mil vezes em mente... Que pena a mente da gente mente! Nada saiu como eu imaginei. Não percebi a minha covardia ao olhar em teu olho e gaguejar e depois dizer: nada não, deixa pra lá! Não imaginei o pulsar acelerado de meu coração ao chegar perto de você. Nem tão pouco percebi minhas mãos tremendo quando você tocou sem querer em mim... Acredite, tinha tanto pra te falar, tanto pra contar, queria tanto te mostrar aquilo que guardo a muito tempo em mim: Amor.

Amo o jeito que você sorrir e fecha os olhos, amo o som de sua gargalhada alta, parece que o mundo sorrir junto, amo a sua carinha de cachorro que caiu da mudança quando quer pedir algo; Amo o bagunçado do teu cabelo, o bagunçado do teu quarto, o bagunçado da tua cabeça, e até o bagunçado que faz em meu coração mesmo sem saber. Queria te dizer que te amo, mesmo sabendo que você não me vê como alguém que você queira beijar... Mas eu te amo como quem vê alguém que quer fazer feliz. Te amo não para te prender, mas para me doar. 

Enfim, essas palavras nunca chegarão ao seu destino pois você não costuma prestar atenção ao seu redor, nem tão pouco em mim ou no que eu escrevo. Mas tenho esperança que um dia você possa me ver não como amiga, mas como alguém que você possa amar, ou perceba ao menos que o meu dia gira em torno do teu sorriso. Queria ser o seu outro par de asa para voar, e não só um pássaro que você cruzou no caminho, mas se for assim, pra gente não ficar junto que seja, mas eu queria ter coragem de te dizer isso olhando no teu olho, mesmo que seja pra sofrer, mas sabendo que depois vai passar e eu posso seguir em frente. Não aguento mais beijar outras bocas pensando na sua, não é vida! Quero viver, e você ou minha falta de coragem não deixam! E isso está aos poucos me fazendo perder o meu rumo, a cada três passos que dou, dois deles é em tua direção. Então não cabe mais em mim esse amor, transbordei tanto que veio parar nessas linhas, que bem que podiam cruzar com os teus olhos... Mas se não cruzar, que o vento leve tudo aquilo que você plantou com seu jeito, e fique apenas o bom e velho amigo. Sem mágoas, sem culpas e sem arrependimentos. 


- Paixõnites 

Djanira Meneses



16h22 |




Alice decide mudar

Então em uma certa manhã Alice decidiu mudar. Acordou cedo, colocou uma sandália rasteira, uma roupa leve, um óculos escuro e foi para o salão de beleza. Estava cansada de tudo que tinha, não os poucos amigos, mas o que tinha nela, olhou no espelho o seu cabelo e decidiu muda-lo. Buscou lembrar da ultima vez que havia ido para um salão e sua memoria, mesmo indo tão longe não conseguiu datar esse dia. Pensou em como seria bom ser outra pessoa, e foi ser. Deixou de lado o medo, pois toda mudança vem com um pouquinho desse inimigo natural da evolução. Queria tanto, tanta coisa que quando tomou a decisão de sair do seu casulo, não queria mais nada. Queria ser nova, uma nova Alice.

No recinto de beleza, sentou-se na cadeira e disse a seguinte frase: Eu quero mudar. A profissional disse meia duzias de palavras que ela não estava ouvindo, e ela continuou a sorrir e dizer: Eu quero apenas mudar. Quem trabalha com pessoas acaba entendendo um pouco de psicologia, e com um sorriso de resignação, começou a exercer a sua arte. Aos poucos foi penteando as madeixas de sua mais nova cliente e percebendo que ela estava friamente segura de que ali, naquele espaço ela conseguiria uma mudança. Pensou também que ela queria mudar para agradar alguém, sempre querem conquistar, afirmou mentalmente essa resposta.

Mas Alice estava em processo de transformação, estava deixando de lado uma pessoa que ela conhecia bem e que tinha sido muito feliz, mas sabia que se não a esquecesse essa mudança não serviria para nada, seria apenas uma pintura de faxada para tapar as manchas de mofo da parede. Ela não queria tapar as manchas, ela queria uma nova parede, e queria uma coisa que todos querem e não tem coragem de fazer: Correr atras de evoluir.

Acordou de seu devaneio, com a simpática cabeleireira, lhe convidando para ir ao lavabo retirar o produto do cabelo. Sentou-se em uma ótima cadeira, recostou-se e sentiu as primeiras gotas de água morna tocarem as suas madeixas, e pensou em deixar a água levar também o seu outro eu, e novamente começou a sua transformação mental.

Cada gota de água que lavava o seu cabelo, lavava a sua alma, retirava todas as frustrações, os medos, as angustias, as vezes que ela se afogou em seu silêncio, ou que se queimou em suas acidas respostas de auto defesa. Deixou ir junto o seu receio de tentar ser feliz com alguém mais velho ou mais novo que ela. Deixou morrer no shampoo as ultimas noites acordada chorando amores que nunca lhe completaram, pois descobriu no condicionador que ela já era inteira por si só. E ao finalizar toda essa etapa de deixar ir embora, deixou a antiga mulher imatura ir embora de vez. Agora os seus erros serão cometidos com a cabeça erguida e não mais com o ar de derrota, que lhe impregnava todo o couro cabeludo. Errar é totalmente humano, e é assim que descobrimos o prazer de perceber que a cada erro nasce algo novo em você, isso é maturidade. Enfim percebeu ao secar a sua cabeleira. 

Aos poucos o sorriso foi chegando e junto com ele um calor do secador que mostrava aquilo que ela queria e até a pouco não sabia o que era: Era um abraço. Um abraço acalorado, que transmita toda a segurança de que mesmo sem precisar ela necessite, que a transporte para um lugar onde tudo fosse possível se continuar ligados um ao outro pelo abraço. Isso foi ficando cada vez mais claro. A cada mecha seca e lisa, percebeu que tudo está em processo de transformação, onde mudamos de opiniões, de pessoas, de lugares, de amigos, até de sexo se quisermos. Mudamos por que queremos algo novo, melhor, e cada passo que deu hoje foi em busca disso. Quando calçou a sua rasteira e colocou o seu óculos escuro viu aonde queria ir, e chegou. Agora o espelho mostra uma mulher de cabelos lisos, sim lisos. Os seus cachinhos não existem mais, as suas dores não existem mais, os seus desejos mudaram, a sua vontade está em primeiro lugar. Os cachos ficaram no passado, assim como a antiga mulher que chegou pedindo socorro em um hospital de beleza. Pediu calma e lhe deram esperança, dias melhores estão chegando, afirmou mentalmente.

Levantou-se da cadeira serenamente, abriu a sua bolsa e pagou por sua felicidade uma quantia razoável para uma professora de ensino básico. Mas saiu como uma rainha desfilando uma nova alma, recém feita e melhor do que a antiga. largou uma vida de meias vontades, para agarrar uma de inteiras conquistas e isso ela vai continuar a fazer, e a cada três meses ao retornar ao salão ela faz a sua terapia de mudar, de sair de alma limpa e nova, e voltar a sua incessante tentativa de conquistar o mundo a sua volta. 

A Alice agora sabe como viver sem receio, e também adotou o chuveiro como orientador pessoal, e conta em meio aos seus encontros matutinos,  tudo que lhe acorreu na noite passada, assim deixa de lado os traumas de mentir para alguém, para poder reconhecer a mulher de desejos realizados toda manhã. E ela se pega, sem se apegar-se ao que lhe dão. Mesmo que ame, quero sentir em si primeiramente o poder da paixão para depois retribuir a altura tudo que sentiu sozinha, agora divide ou multiplica, depende do seu dia. Alice não é mais Alice, é a nova ALICE! 



Djanira Meneses

25/07/13



17h04 |




Sou viajada

Viajando nas musicas, nas letras, em fotos, livros... tudo que me fazia tão bem e que hoje eu nem sei onde se encaixa em mim. Percebi que mudei, mudei por dentro, meus gostos, meus sonhos, minhas amizades... Tudo foi indo e eu fui ficando, então resolvi mudar. Não por medo de ficar. Mas por vontade de me agradar, de eu própria realizar os meus sonhos, e provar a minha capacidade para mim mesma. Para ser feliz não preciso de ninguém, mas apenas acho que seria muito egoísmo ser feliz sozinha. E as musica, e as fotos, e os livros que agora me fazem viajar, são para mostrar que eu andei muito para chegar onde estou hoje, com essa cabeça aberta para o mundo e com um sorriso no rosto. Afinal sejamos a mudança mas sem tirar a esperança de nos encontrarmos com a nossa criança interior. Olhar o novo mundo é ser acima de tudo uma porta sempre aberta para amigos, e essa porta também manda embora aquilo que não faz bem. O meu eu hoje descobriu que estou bem e acima de tudo estou aberta a conhecer não o meu mundo, este eu já conheço. Mas conhecer o mundo de alguém que queira compartilhar sua felicidade... De que adianta ser livre e não desfrutar desta liberdade? E que a vida se transforme a cada dia me proporcione cabeça no lugar para cada obstáculo que eu passar. 


- Djanira Meneses 



15h45 |




Acabou

Vivendo de ilusão é quando você se encanta com alguém e seus atos lhe afasta dessa pessoa. A sua capacidade de fazer alguém se interessar por você é a mesma que você tem de fazer o oposto. Pois é, fiz o oposto. Nos não existe mais. E tudo foi tão rápido, me perdi nas minhas frustrações e deixei escapar um pedacinho de minha felicidade. Hoje eu não sei o que fazer, Felicidade é está bem com você mesma, mas hoje eu posso dizer que não estou. Estou com ódio de mim mesma, pois como posso afastar as pessoas que amo com meus atos? Como posso ser tão chata? - Sendo apenas tão eu.



13h29 |




Ser teatro ou fazer teatro?

O teatro é um estado pleno de liberdade, onde se perde e se encontra com o seu eu interior. Ser teatro é ser livre, é compartilhar conhecimentos, é ser um ser que possui vários outros seres em seu próprio ser. É ser palco, platéia e ator. É transferir um pedaço de seu eu para cada personagem, e deixar que cada personagem deixe a sua marquinha em seu interior. 
Fazer teatro, é usar seu corpo como arma, sua voz como megafone. É transmitir sons, gestos. É ousar, criar, recriar, copiar, colar e se fazer de novo, e de novo, e de novo... É sentir o que se fala, o que se faz; E se fazer sentir: o espectador sentirá aquilo que o ator quer passar. E o ator faz tudo isso em tão pouco tempo, que tudo parece perfeito. E ele não precisa mentir, nem fingir ser outra pessoa, pois o teatro aceita as pessoas do jeitinho que elas são. E isso faz com que você se sinta integrado nesse mundo, e tudo que te vem é único, pois vem do amor pela arte, mas acima de tudo, vem por amor a você mesmo.
Estar no teatro é juntar liberdade com amor. Onde você pode ser aquilo que você é sem máscaras, sem precisar de formalidades usadas no dia-à-dia. É ser você, apenas você, e a arte que nasce lá se torna parte de você. Por isso que os grandes teatros usam bordões que ninguém usa normalmente (Muita merda! = Muita sorte!), (Quebrem as pernas! = Arrasem!). E só busca o teatro quem não tem medo de viver e de ser você mesmo. Só vive o teatro aqueles que se despem de preconceitos, aqueles que sabem amar e pedir perdão quando necessário, mas também sabem virar fera e defender aquilo que acreditam. Enfim, o teatro é tanta coisa que não cabe nessas linhas que aqui escrevo, mas cabem em meu coração. Amo o teatro, amo a arte, mas amo mais ainda o que ele faz comigo: Me deixa ser eu, sem precisar negar quem eu sou, nem tão pouco esconder pra ninguém a pessoa que o teatro me fez. Sou inteiramente teatro, mesmo afastada dos palcos, pois que conheceu esse mundo nunca esquece, vai ser pra sempre amante da arte.



19h58 |




Ela

Ela era engraçada, cativava a todos. Tinha um jeito estranho na hora de falar, mas quando falava todos prestavam atenção. Era barulhenta, espivitada, ria alto, chamava atenção. Normal para uma mulher com personalidade forte. Mas o jeito que ela olhava parecia que te desnundava, olhava através do teu corpo de carne e enchergava a alma. Era doce quando queria, apimentada quando não podia, azeda na TPM, chata, mandona, arrogante, e mesmo assim muitos a amavam... Porque ela era ELA. ela não fingia amar, se não amasse verdadeiramente, e se ela odiava é de todo o coração, e mesmo odiando não guarda mágoas em seu coração. Com ela não existia meio termos perto de sua presença, e a sua ausência era sentida aos gritos. Mas como todos os seres humanos ela era humana, errava e acertava, tinha amigos e chorava. Podia ser a pior coisa do mundo ela conseguia tirar um sorriso. E se for pra ajudar um amigo ela conseguiria que o sol nascesse mas tarde. Ela podia ser tudo, ela era tudo pra muitos... Mas ela só era ela. Um dia ela avisou que odiou, ela não foi ouvida, ela gritou, xingou e chorou. Foi esquecida, e ficou no ar a pergunta: Quem ela era? Quem sou eu? Pode deixar o mundo cair sobre sua cabeça, ela não se importa, ela não deixará de crer em dias melhores, de se emocionar com o por do sol, nem tão pouco de gargalhar quando ouvir uma piada de sacanagem, ela é mulher, humana. Ela é ELA! E isso já lhe basta. Aprendeu cedo que a dor e o amor caminham juntas, e que dias de glorias podem acabar logo, mas ela nunca vai abandonar aquilo que lhe define: O seu carater, a sua força, a sua marca registrada. Pois acima de tudo ela ainda é a mesma, Ela.



19h07 |




Cordel do Vento


Teatro,

Sonho, idealização, construção (Dignidade, respeito, coerência)... Para enfim chegar ao publico.

 

Escrever,

Refazer,

Descrever,

Reescrever,

Inventar,

Reinventar,

Transformar,

Crer.

 

Quando criei a peça Cordel do Vento, vim de outra apresentação, e em meio à correção de críticas eu estava cansada, triste e fui direto conversar com alguns amigos, em meio a vinho e conversar, a gente foi brincando de falar de nossa infância, das coisas que nossos avôs nos contavam... Após esse lazer, fui para casa dormi com o pensamento nessas conversar então sonhei... Com uma cidadezinha no interior do nordeste, com pessoas engraçadas e muita cor...

Acordei as 4h00 da manhã, cheia de ideias e não podia deixar escapar nada e comecei a escrever, e só saiam ideias soltas, e eu com um lápis grafite fui escrevendo tudo em um caderno de capa preta (onde eu costumo escrever poesias), do jeito que saia só pensava em escrever.

No dia seguinte fui à casa de zui (José Francisco de Araújo). Ótimo escritor ,e eu passei para ele os meus escritos então ele foi e continuou a escrever e há parti daí ele sonhou comigo o mesmo sonho. Bebeu das ideias e acrescentou o que achou melhor e retirou o que não gostou, e a partir de então descobrimos que somos bons parceiros de escritas, e o cordel do vento tem a nossa cara, tem os nossos sonhos. A peça teve oito versões, escrevemos e reescrevemos por inúmeras vezes até chegar à peça do jeito que o publico viu. Hoje não sei onde começa o meu texto ou onde termina o de Zui. Tudo se encaixou tão perfeito, que não vejo mais minhas escritas sem os escritos dele.

Enfim escrever para teatro é sonhar, mas para idealizar precisamos que todos os atores sonhem também. Mesmo sabendo que cada cabeça é um mundo, e cada mundo é o seu particular, então fica difícil que cada um veja da maneira que foi escrita pelo autor, e isto é a beleza do teatro. Escrever para alguém interpretar aquilo que ele não sabe o que significa mais que dá o seu toque e tudo se torna realidade. Escrever, transcrever, suar... Crer. Acreditei num sonho e vi a realidade se fazer, eu vi todos os meus medos irem ao meu encontro e no palco todos se desfazerem...

O teatro proporciona emoções que ninguém consegue descrever... O teatro é um texto conjunto, pois mesmo que escrevemos a peça o ator e diretor colocam a sua porcentagem de personalidade, então não há autores e sim atores nesse palco que se chama sonho, mas que virou realidade.

Djanira Meneses

07/04/13



13h21 |




Momentos...

Um momento de desejo

É um momento sussurrado ao ouvido,

Entre trocas de carinhos,

Em momentos indevidos,

A sua mão, o meu corpo desenha,

Tremo e me faço de santa,

Para me entregar ao pecado,

 Pois qual graça teria em pecar,

Se já houvesse cometido tal ato.

Quero ser o momento,

 Único.

Úmido.

 Que transpassa o que sinto

E o que sinto nem falo, faço.

Entre atos, entre tatos, entre quartos.

 Mas me entrego rapidamente

Ao embaraçado dos nossos corpos

Em laços. 

 

Djanira Meneses



00h58 |




A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e

atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões.

Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição.

Sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana,

a perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada

pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado

grupo que tem em comum certas crenças.

As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela

Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal.

A religião e a crença de um ser humano não devem constituir barreiras a

fraternais e melhores relações humanas. Todos devem ser respeitados e

tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa. 


O Brasil é um país de Estado Laico, isso significa que não há uma religião

oficial brasileira e que o Estado se mantém neutro e imparcial às diferentes religiões.

Desta forma, há uma separação entre Estado e Igreja; o que, teoricamente,

assegura uma governabilidade imune à influência de dogmas religiosos.

Além de separar governo de religião, a Constituição Federal também

garante o tratamento igualitário a todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas crenças.

Dessa maneira, a liberdade religiosa está protegida e não deve, de forma alguma, ser desrespeitada.

 

Com base nesse texto extraido do Guia dos Direitos Humanos emito a minha opinião:

Mais uma vez venho aqui no meu blog desabafar sobre um tema que gera discussões:

Intolerância religiosa. Em um país que descende da África a cultura africana é inaceitável para a população.

Foi criado um desrespeito onde àquele que apoia, que respeita, que entende,

que frequenta, que gosta, é mal visto pela sociedade. A mesma sociedade que diz que

não é preconceituosa, a mesma sociedade que prega o amor ao próximo,

à mesma sociedade que diz que amor vai curar o mundo. Pois bem, sou mulher nordestina,

tenho orgulho de minha nacionalidade e de minha descendência, sou negra no sangue e na cor morena.

E pela segunda vez me vi em torno de um grupo que me julgaram, comentaram e

condenaram uma apresentação artística de cunho afro, falando sobre as lendas dos

orixás que fiz em uma semana pedagógica com os professores do meu município.

Bem pela lei é obrigatório o ensino da cultura afro nas escolas tanto da rede municipal quanto privada.

Mas o que me surpreende é a intolerância de uma classe que deveria trabalhar

pela liberdade de direitos e mostrar a diversidade do mundo para as crianças,

e o que vi me chocou. Senti na pela. Mas não me abala em nada, apenas me deixa triste

por saber que isso ainda existe, e que crianças estão aprendendo apenas o

que seus professores querem e não o que eles merecem. Ser professor não é ensinar e

abrir portas para o futuro. É mostrar o mundo e acima de tudo dizer que

você é livre para ser quem você quiser.

Mas um preconceito que sofri e mais um desabafo, mas vou continuar a minha

luta pela igualdade de direitos e pelo lugar da cultura afro na educação.


Djanira Meneses – Estudante de Licenciatura em História.



13h04 |




Em homenagem a minha terra querida!

Paraíba

 

Para quem diz:

Onde tem seca não nasce flor.

Não conhece a Paraíba,

Nem a força que trago na cor.

Nunca viu:

Um nascer de sol encantado,

Que de tão belo parece um retrato,

Que o nosso Deus tirou.

Aqui o astro nasce primeiro,

Isso acontece de janeiro a janeiro,

Independente de raça ou de cor,

Não nego as minhas origens,

Sou desse povo sim senhor!

E pra completar um dia perfeito,

Ver um por do sol na maré,

Com musica e mistérios,

Lá na praia do jacaré.

E quando chega a noite,

A lua vem encantar,

Um teto de lindas estrelas,

Pra minha janela enfeitar.

Agora me responda

A Paraíba tem o que se envergonhar?

Com tamanha beleza, com tantas riquezas,

Que a natureza colocou em um só lugar?

Não! Aqui é minha terra querida,

Que agradeço aos céus

Por que nasci neste lindo lugar.

 

Djanira Meneses



00h31 |




Faça Arte com o FascinART

 

 

PRÊMIO CULTURAL

EDITAL DE DIVULGAÇÃO Nº 01 DE 30 DE JANEIRO DE 2013

EDIÇÃO ESPECIAL 1 ANO DE FASCINART – FAÇA ARTE COM A FASCINART

 

A Diretoria executiva da Cia. Artística FascinART da cidade de Solânea – PB, estabelece e divulga as normas para o edital de seleção publica de trabalhos artísticos, na área de Arte visual tendo em vista a escolha de três trabalhos, de acordo com as disposições que seguem. 

 

Concurso Cultural – “Faça arte com a FascinART"

 

1. DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

1.1 o concurso tem caráter popular e objetiva apenas a expressão artística e o estimulo a as artes visuais.

1.2 Os preponentes poderão escrever apenas (1) uma proposta cultural.

1.3 integrantes da cia artística FascinART não poderão concorrer.

1.4 as imagens, vídeos ou pinturas deverão ser:

a) Produzidas na cidade de Solânea

b) Ter como tema “a cara da FascinART”

c) Os preponentes que desejam inscrever seus trabalhos artísticos-culturais deverão envia-lo para o e-mail ciafascinart@gmail.com

 

1. PARTICIPAÇÃO

1.1 Poderá participar qualquer pessoa que tenha interesse, porém as artes obrigatoriamente deveram ser feitas a partir do nome da Cia.

1.2 Você pode criar: Um texto, poesia, frase, desenho, foto, vídeo. Usando apenas: FascinART como tema.

 

2. INSCRIÇÕES

2.1 As inscrições estarão abertas do dia 30 de Janeiro de 2013 á 20 de Fevereiro de 2013.

2.2 As Artes devem ser inéditas, ficando automaticamente desclassificados os trabalhos que já tenham sido exibidos ao público, em qualquer suporte, peça ou meio de comunicação impresso ou eletrônico.

2.3 Cada participante poderá enviar apenas uma arte.

 

3. PRAZO

3.1 O candidato deverá enviar a arte através do e-mail ciafascinart@gmail.com, com os dados do autor, durante o período que vai desde a datada publicação desse edital a 20 de Fevereiro de 2013.  Só serão aceitas inscrições feitas pela Internet.

 

4. JULGAMENTO

4.1 O júri será composto por atores e direção da Cia Artística FascinART. A decisão será soberana e irrecorrível. O júri selecionará 10 artes entre as enviadas e premiará as três melhores entre as dez para receber brindes simbólicos da cia..

4.2 Serão respeitados os seguintes critérios de avaliação:

• Consonância com o tema do concurso;

• Criatividade;

• Originalidade;

• Estética;

 

5. RESULTADO

5.1 O resultado será divulgado, no dia 22 de Fevereiro de 2013 pelas redes sociais (Facebook, Twitter). Quaisquer dúvidas neste regulamento serão dirimidas pela comissão organizadora.

 

6. INFORMAÇÕES GERAIS

6.1 O participante declara que é autor da imagem enviada para este concurso respondendo penal e civilmente por esta informação, isentando os organizadores de qualquer responsabilidade.

6.2 A utilização da imagem alheia na fotografia é de responsabilidade do autor.

6.3 Os casos omissos serão resolvidos pela comissão organizadora do concurso.

 

 

 

Atenciosamente,

 

Comissão Organizadora

 

 



18h07 |




Bailarina de Rua

Descalça na rua dançando

Parece um anjo bailando.

Sem asas para voar

Com pés para poder dançar.

E vai com a ponta dos dedos,

Colorir em alto relevo,

Aquele chão sujo cinzento,

De pés doloridos dança no cimento.

Não vê o sorriso dela?

Aqueles que olham da janela.

Os que passam pela rua,

Tem medo de olhar a realidade crua e nua.

Ela é artista,

Mesmo que muitos não acreditem.

Mas ela acredita,

E em seu sonho persiste.

Vai continuar dançando

No meio da rua,

Nas esquinas, praças e calçadas,

Ela é bailarina de rua.

Vai criando asas,

 E pra casa levando sonhos.

Assim achando graça,

Vai continuar bailando.

 

Djanira Meneses – 20/01/13



13h38 |




O tempo e o vento

O tempo perguntou ao vento qual era a sua idade, o vento respondeu bem tranquilo:

creio que não me lembro dessa verdade. Minha idade é tão velha quanto você.

O tempo responde: Ah! Não pode ser eu fui o primeiro a ser criado!

Eu sou o hoje, o futuro e o passado.

O vento soprou zombador: Pare de dizer asneiras,

o tempo não importa, o que importa é o agora,

e eu que levo o arrepio para mostrar que vale muito a pena essa vida aproveitar...

Já você amigo tempo, tudo passa.



19h11 |




 

É preciso mais que nunca prosseguir caminhar de cabeça erguida e tentar não deixar

se abater pelo que aconteceu no passado, pois este ficou para trás e agora vamos adiante.  

Acontece que de palavras o dicionário está cheio, com seus sinônimos e antônimos,

com suas grandes e pequenas letras, mas o que falta é atitudes, ações que te levem a prosseguir,

a buscar aquilo que te espera logo ali adiante, pode ser algum bem ou um bem porque

se as estrelas são todas iluminadas, é porque marcam um caminho para que cada

um possa encontrar o seu rumo... Assim eu vou dando muito de mim e aceitando o pouco que o

mundo me dar, mas sem deixar de sorrir, porque a demanda do mundo dizem que é o amor,

mas para mim a fabrica dele é o sorriso, dado, sem pedir nada em troca, uma doação.

E se eu encontrar alguém pra amar vou tentar dar o meu melhor e fazer está pessoa muito feliz.

E se mesmo assim um dia ao acordar do teu lado e perceber que você está triste, eu abro a minha

mochila tiro lápis e tinta e pinto no céu um arco Iris só pra te ver sorrir. E quando não existir mais

nós e você se for, perceberei que pelo menos consegui te dar asas para

você buscar aquilo que te fará bem.

E eu continuarei a minha caminhada e assim vai sobrando saudades,

e vai faltando abraços, mas mesmo assim eu preciso prosseguir e sorrir.

 

Djanira Meneses

 



16h58 |




Poeminha meu


"Embalo em meus braços o teu abraço
Embalo em minha boca, o doce da tua boca,
Embalo em meus cabelos, o doce aroma do pecado.
Embalo - me pra ser sua toda."


Djanira Meneses



14h02 |




Quem é ela?

 

            Olhos bem pintados de preto, boca bem marcada com batom vermelho, vestido solto, na altura dos joelhos, salto alto em tom de nude impecável.    Olha no relógio de pulso Gucci, marcam exatos 14:41 hrs. Senta, cruza as pernas e deixa as mãos livres para brincar com os seus cabelos, parece que em suas mãos eles ganham vida própria, brincam de se esconder atrás de suas orelhas, ou de esconder os seus olhos e ela insiste em tirá-los de frente ao rosto e assim vencendo o jogo repetidas vezes. Observadora, gosta de olhar o vai e vêm das pessoas em sua volta, os seus sorrisos, as suas roupas, as suas rugas de preocupação ou de atraso. Sentada em uma poltrona de couro branco, está à espera de sua consulta semanal com o psicólogo que lhe cobra 250,00 reais para lhe dizer sorrindo enigmaticamente como a Monalisa de Da Vinci, os seus defeitos, como se ela já não soubesse. E o engraçado que ele com todos os seus diplomas, não percebe o real motivo de suas consultas. Então se pergunta: por que fazer terapia? Então se lembra que sabe bem a resposta.

Relembrando o momento em que o conheceu, em uma festa na casa de um amigo em comum, onde foram apresentados formalmente como: A empresária Camila e o Psicólogo Augusto.  Foi naquele instante que ela encantou-se por ele, voz grave, mão forte, e dois dias depois estava em frente ao seu consultório de hora marcada... Volta do seu devaneio com a voz da secretaria que anuncia o seu nome em um tom sensual: Sra. Camila, Dr. Augusto lhe espera. Entra na sala e vai em direção ao divã como de costume, senta e ajeita o vestido cruzando as pernas. E espera para que ele diga que ela relaxe e que se deite. Só que hoje ele está diferente, a sua voz está mais forte, ele está sorrindo mais. Pensa rápido: Será que ele descobriu o real motivo de suas consultas? – Já não era sem tempo! E esquecendo-se de onde estava se abriu em sorrisos maliciosos que foram retribuídos a altura. Então um convite para jantar logo mais a noite no qual Camila jamais iria recusar.

            Naquele restinho de tarde agradeceu as consultas que teve quando percebeu que conseguia controlar a sua ansiedade. E a noite veio com um salto alto nude, batom vermelho, olhos marcados e agora um vestido bem acima dos joelhos. E um Augusto charmoso a espera na sua porta, para um jantar onde ela conseguiu o que tanto desejava: Alguém interessante para conversar e se entregar.

 

Djanira Meneses

 



15h16 |




Eu sofri preconceito religioso

Em uma instituição de ensino, haverá um projeto sobre a cultura afro brasileira e com isso as suas religiões. Não nego a ninguém a minha admiração pela cultura negra, pois sou uma negra (branca com cabelos afro), filha da miscigenação racial: Pai negro (africano e índio)candomblecista, mãe branca (Português e índio) católica, além de muitos outras da minha família serem de espírita a evangélicos.  Adoro a minha descendência, admiro a minha mistura de valores, e isso fez em minha uma pessoa sem preconceitos, aponto até como uma de minhas melhores qualidades.

            Então vendo alguns vídeos sobre a cultura afro e suas religiões, adentra na sala uma professora evangélica que me descriminou, e citando partes bíblicas abomina tudo isso, eu rebati dizendo que a gente deve respeitar a adversidade, ela disse que respeita sim, mas eles vão para o inferno. Isso foi o inicio de uma confusão, onde me chamaram a atenção sobre como era que se “deve” trabalhar como professora. Ora, eu estou fora dos padrões de ensino?  Bem me taxaram, me repudiaram apenas por religião, antigamente a gente usava o caráter para medir valores, hoje é a religião. E ainda falaram de minha vida pessoal, como se o fato da religião correspondesse na mesma medida da minha vida cotidiana: religião duvidosa (na mente deles), vida também duvidosa. Fiquei decepcionada não por mim, podem falar não me importo. Mas o que eu vivi vai muito mais além do que um simples preconceito, o que aconteceu foi uma “castração cultural”, o aluno só pode conhecer aquilo que o professor quer mostrar, não o que a profissão de educador promete: Conhecer o mundo. E quem sai perdendo são as crianças, que não conheceram as muitas possibilidades, as muitas religiões, as muitas culturas, e acima de tudo não se conheceram, pois será que em uma sala de aula todos os alunos são iguais? Estamos formando apenas mais um igual?

            Não estou tentando impor religião nenhuma, e nem tão pouco deveria, mas não acho justo impor a minha “religião” para os alunos. Cabe a cada um acreditar no que acham certo, é uma questão de fé, por isso não se deve discutir e sim respeitar a individualidade de cada. As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal, é lei!

Caros professores não castrem os seus alunos, dêem a eles a oportunidade de que muitos não tiveram de conhecer o mundo e suas adversidades sem preconceitos, não queiram apenas que seus alunos sejam o seu reflexo, por que o que fica para o futuro são apenas os valores, e são os valores que formam o caráter do futuro adulto.

Bem, o constrangimento que passei, demonstrou apenas ignorância pela nossa cultura brasileira e ainda mais o quanto nós estamos ainda envolto a valores europeus, e de que precisamos não de armas e sim de tolerância, para poder aceitar o outro pelo que ele é, e não pelo o que você quer que ele seja.

Não espero mudanças nem apoio no que estou apontando aqui no texto, espero apenas dividir uma experiência, e saber que mesmo não podendo mudar eu estou expondo um fato talvez desconhecido para muitos, mas que aconteceu aqui no Brasil, no estado da Paraíba e na minha cidade Solânea.

                Djanira Meneses

Estudante da UEPB - Guarabira



16h08 |




Um pedaço do céu em festa

 

Quando eu tinha oito anos, morava no interior do nordeste, em uma cidadezinha pequena lá no estado da Paraíba. Chegou à cidade em uma quarta, de tardezinha o parque de diversão, o que para a criançada era a melhor época do ano. O parque tinha tudo: carrinho de bate-bate, roda gigante pequena e grande, barca e muitos outros brinquedos. 

                Foi encantamento a primeira vista, eu me encantei com tudo, com as cores, as luzes, as musicas, os risos, os gritos, enfim com tudo! Até o ar tinha mudado, parecia que você podia tocar no vento. Foi o dia mais feliz de minha vida. Lembro-me que eu estava na igreja com a minha mãe e nos corremos pra a rua para ver aquela agitação que estava acontecendo. Minha mãe trabalhava voluntariamente na pastoral da criança e eu por sorte vim para o trabalho justamente naquele dia com ela. Então pedi para passarmos por lá no caminho de volta, foi aí que aconteceu algo que iria marcar a minha vida pra sempre, foi paixão a primeira vista, parecia que tudo havia sumido de repente, e eu nem piscava só olhava como quem está fascinado, encantado... Vi pela primeira vez uma máquina que faz algodão doce.

                Até ali eu só conhecia esta iguaria graças ao seu Antonio que passava toda quinta feira na rua onde eu morava, com a sua carroça, trocando por garrafas o doce, e se não tinha garrafa a gente comprava. E algo que me chamava atenção era que só tinha algodão rosa, nunca de outras cores. Até hoje eu me lembro do som do apito que anunciava a sua chegada, fazia o meu coração acelerar em felicidade.

                Naquele por do sol conheci a coisa que mais me encanta até hoje: Era vermelha, e tinha duas repartições, na primeira ficava uma bacia de alumínio com uma bola no meio era assim que eu via; e na segunda ficava uns palitos de madeira e quatro vidrinhos que eu batizei de pó encantado nas cores azul, rosa, verde e amarelo. Perfeitos coloridos e na minha frente como em mágica meus olhos brilhavam de felicidade. Do lado oposto ao meu, estava uma senhora de cabelos grisalhos, bochechas rosadas e olhinhos bem pequenos, com um vestido amarelo florido e com um sorriso que a deixava com um ar de muito simpática, na mesma hora há reconheci: Era a minha fada madrinha, que veio com os seus quatro pó mágico para realizar os meus sonhos, fui levada de súbito a uma euforia que não conseguia esconder a minha alegria. A senhora chamava as pessoas para provarem o seu quitute mágico e ao mesmo tempo segurava com destreza um dos palitos de madeira na bacia de alumínio e aos poucos os fios de açúcar iam se formando, se juntando e assim o algodão doce estava pronto.

                Havia uma placa acima da maquina dos meus sonhos que dizia a seguinte frase: “Tudo aqui no parque custa apenas um real”. Não resisti e corri até a minha mãe pedindo dinheiro e ela me respondeu que hoje não tinha e que depois se arrumasse me daria. Então fui pra casa em um misto de alegria por ter encontrado a mágica e a tristeza por não poder pagar.

                A noite chegou como um filme infinito onde eu sonhava que voava e dava mordidas nas nuvens e estas eram tão doces que eu acordei na manha da quinta com a sensação de doce na boca. Os dias foram passando e eu triste por que queria muito provar aquela nuvem mágica do parque e nada de conseguir dinheiro, minha mãe viajou e ficaram apenas nós, seus quatro filhos e minha avó em casa, e eu cada vez, mas triste me exclui das brincadeiras e ficava cada vez mais quietinha no quintal olhando o céu, e todos os meus familiares notando a minha tristeza e sabendo da razão não faziam nada e assim chegou o domingo, ultimo dia que o parque estaria na cidade.

                Acordei cedo e fui ficar no quintal, deitei no chão e fiquei olhando as nuvens no céu, gostava de ver a sua forma me dava água na boca só de imaginar, para minha surpresa estava um azul intenso e só havia uma única nuvem pequena no formato de uma bolinha, foi então que me veio à mente a pergunta que eu não sabia e achava que ninguém também sabia a resposta: Por que o céu é azul e não branco? E porque as nuvens são brancas e não azul? Com essas duvidas adormeci e sonhei que estava novamente voando e provando os sabores do céu. Acordei com os gritos de meu irmão dizendo: “Mãe chegou, e ela te mandou tomar banho que a gente vai sair”. Então algo palpitou o meu pequeno coração. Será que vou ao parque? Eu iria adorar mesmo que fosse apenas para olhar, pra mim já estaria de bom tamanho e corri para me ajeitar para sair. Pra minha alegria foi justamente isso que aconteceu e ainda melhor, ela deu a cada um de nos a quantia de dois reais em moedas e disse: “Vão brincar ou comer alguma coisa, vou ficar ali conversando com minha amiga. Divirtam-se!”. Eu não sabia o que falar, dei um abraço apertado nela e sai em busca de meu sonho. Meus irmãos correram foram brincar na barca e já haviam combinado de pegar a segunda sessão da “monga” que era o comentário do momento e todos queriam ver, menos eu lógico.

                Chegando à maquina, a senhora me sorriu simpática e eu retribui com o maior sorriso que pude, meus olhos brilhavam, minhas mãos suavam e então ela disse: - Você quer um? Respondi que sim com a cabeça, ainda estava com um sorriso enorme, ela olhou para mim com os seus olhos pequeninos e perguntou: - Qual cor você vai querer? Respondi rápido: Azul com a pontinha branca. Ela sorriu e me explicou que só podia ser uma cor, caso contrario seria como se eu estivesse comprando dois, pois teria que usar dois tipos de corantes. Eu não entendi nada, mas erguendo a minha mão e mostrando as moedinhas eu disse que queria assim mesmo. A senhora simpática ficou meio intrigada e decidiu perguntar enquanto começava a preparar a minha nuvem: Menina, por que você quer azul com a pontinha branca? Respondi meio absorta em meus pensamentos, parecia que eu estava revivendo aquilo que eu pronunciava: - Eu tive um sonho onde eu podia voar pelo céu de um azul bem bonito, ai eu mordia as nuvens e eram muito doces e dentro da minha boca faziam cócegas e eu ria toda vez que mordia uma delas, o céu da minha boca parecia que estava cheio de estrelas porque eu sorria e brilhava a minha boca toda, então eu quero morder um pedaço do céu.

                A simpática senhora abriu um largo sorriso e enquanto fazia o meu tão sonhado quitute cantarolava uma canção que eu até hoje me emociono quando escuto: - “Madalena, o meu peito percebeu que o mar é uma gota, comparada ao canto meu...” eu estava achando tudo muito lindo, o por do sol de um domingo, a realização de um sonho... Tudo parecia tão perfeito!

                Então chegou o tão desejado momento, onde passei dias esperando por aquele instante, então entre sorrisos e olhares foi-me entregue o algodão doce, peguei e sem olhar para mais nada, entreguei com a outra mão o dinheiro, e então para minha surpresa ela disse: - Prove logo, pra ver se esta bom, depois você me paga. Eu nem olhei para ela, sentei na pontinha da calçada para não sujar muito a roupa, e então fechei os meus olhos e mordi um pedacinho.

                Tudo parou, a voz da senhora cantando “Madalena”, parecia à coisa mais bela que eu já tinha ouvido, dentro de mim parecia que tudo iria explodir em luz e cores, a sensação do açúcar se dissolvendo em minha boca parecia que eu podia flutuar, e eu não conseguia mais ouvir nada além da voz da senhora, não havia gritos, nem choro de criança birrenta, nem aplausos, e nem tão pouco risadas. Tudo parecia ter se rendido ao meu manjar dos deuses, foi à sensação que ficou guardada dentro de mim por muito tempo. Então comi todo algodão doce bem devagarzinho e nem notei as pessoas comprando do meu lado, não notei nada, estava literalmente voando.

                Terminado de provar a iguaria, fui pagar, ela hesitou e me faz mais uma pergunta: - O que você sentiu? Parecia com o seu sonho de provar do céu? Eu extasiada de felicidade respondi: - Senti como no sonho que eu mordia um pedaço do céu, mas foi melhor que no sonho, muito melhor! Ela então me perguntou rápida e interessada na minha resposta: - Porque foi melhor, muito melhor? Agora para responder essa pergunta me senti envergonhada, mas mesmo assim falei: Foi melhor porque parecia que eu mordi um pedaço do céu em festa, tudo brilhou e eu só conseguia sorrir de tão feliz que eu tava.

                A senhora simpática, me abriu um largo sorriso e foi falando: - Esse dinheiro que você tem, tão pouco, comprou a sua felicidade? Eu respondi sem pestanejar que sim e ofereci novamente a mão com as moedas, ela retirou apenas o equivalente a um algodão, e pegou um saquinho de papel e colocou dentro as sobras dos doces, e eu fiquei com um saquinho cheio de bolinhas coloridas de açúcar, e disse: - com o resto do dinheiro vá andar de roda gigante e quando chegar lá em cima, perto do céu coma uma bolinha dessas e aproveite muito a sua felicidade. Eu fiz o que ela me disse e realmente fui intensamente feliz naquele momento. Com aquela idade eu não entendi por que aquela senhora foi generosa comigo, e até hoje quando provo um algodão doce sinto a mesma sensação que senti naquele parque: Comendo um pedaço de céu em festa.

 

Djanira Meneses

29/10/12

 



17h12 |




Um fato

‎"O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove."

— Fernando Sabino



19h24 |




— A Culpa é das Estrelas.

Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam.



19h21 |




[ página principal ]